Hoje vou na verdade somente conversar aqui umas ideias que andaram me ocorrendo, a partir de uma situação vivida essa semana. Estava em debate intenso com um amigo sobre uma filosofia de vida que estamos os dois a simpatizar. Na teoria, ele conhece essa filosofia mais a fundo que eu, só comecei a ler e estudar sobre o assunto há bem pouco tempo, e me encantei tanto que realmente estou a mudar aos poucos meu estilo de vida até poder adotar totalmente esta nova forma de ver e viver a vida. Bom, o motivo da discussão com meu amigo é que eu estava a questionar que apesar de conhecer muito mais em teoria sobre o assunto, na prática ele não consegue adotar esse estilo, e eu, em meus pensamentos íntimos, sempre achei a maior hipocrisia você defender algo e não praticá-lo. No caso do meu amigo não é que ele não coloque nada em prática, isso varia muito conforme o momento que ele está vivendo, isto é, as pessoas com quem está, o contexto social onde está inserido, pois ele viaja muito. Pois bem, durante nossa conversa,a única palavra que vinha a minha cabeça era "hipócrita". Hipócrita, hipócrita, hipócrita, eu não parava de pensar nisso, até que...
De repente, um pensamento vindo de algum outro canto da minha mente me chamou a atenção e ralhou comigo: "Márcia, você ao fazer esse julgamento, está desconsiderando tudo o que você conhece desse amigo. Todas as histórias que ele já viveu e as lutas porque passa. Você está julgando ele através das suas lentes, isto é, da sua maneira de ver e encarar a vida, que diz respeito a suas próprias lutas. Seja menos intolerante, senão isso não é uma amizade."
Tomei um susto comigo, mas na mesma hora mudei meu olhar pra o meu amigo. Não posso querer que alguém pense e aja igual a mim só porque defendemos uma filosofia idêntica. Pode ser que a minha transformação de teoria para prática seja mais rápida pelas experiências que passei, pela minha própria natureza, por encontrar mais apoio emocional para isso, e N outras razões. Talvez meu amigo realmente tenha mais dificuldades em passar da teoria a prática. Mas isso não o torna hipócrita.
Nesse momento lembrei de um texto que falava sobre tolerância, por coincidência o li na sala de espera de um terapeuta, quando estava aguardando esse amigo sair. O texto era longo, mas a mensagem que ficou gravada em mim foi: a tolerância nada tem haver com anulação. Tem haver com não-imposição. Posso aceitar o jeito de ser e pensar do outro, respeitar sua maneira de ver e fazer a vida, mas não preciso mudar as minhas convicções. E assim vamos levando. Podemos continuar amigos por tempo indeterminado. Se em algum momento houverem muitas diferenças, podemos nos afastar, cada um seguir seu caminho, a vida é assim mesmo. Mas sem desrespeito, sem intolerância, sem autoritarismo. Com muito amor, sim, sempre...
A vida muitas vezes e contraditória, porque estamos sempre mudando, nos descobrindo a cada momento, somos camaleões que adquirmos as aparencias dos terrenos em que pisamos, eu também como você estou numa transformação descobrindo uma noba concepção de vida,eu que sempre me via como uma pessoa monogâmica, cada vez mais me aceitando num amor plural
ResponderExcluirBem vinda ao clube das mudanças! Obrigada pelo comentário...Bjs
ExcluirBem, esse é um tema altamente polêmico. Nós vivemos em sociedade, logo existem crenças, valores criados por cada grupo social. Tudo, na verdade, é construção social, inclusive o amor e as formas de amar, tanto que diferentes culturas apresentam diferentes formas de relacionamento.Agora, a questão mais importante, em relação ao seu texto, eu acho que é o fato da divergência do discurso de um dos seus pares amorosos da sua prática. Isso eu acho extremamente preocupante mesmo, não trata-se de se estar julgando o outro,mas de se estar atento para a veracidade do que está sendo vivenciado: é preciso que seja experimentado da mesma forma para ambos, pois, senão, corre-se o risco de sérias complicações ao longo do processo. Nem somente teoria nem apenas a prática sem fundamento. É a prática que valida a teoria, não é verdade? Em contrapartida, viver algo, sem ter alicerces que sustentem a viagem, é muito provável que a pessoa se perca no meio do caminho, inclusive, se perca de si mesma, o que é profundamente perigoso. Observar o outro, com quem nós estamos nos relacionando, e fazer inferências positivas e necessárias, não é julgar, mas tentar construir um caminho que seja compartilhado, isto é, que ambos sigam na mesma direção. Como tudo é construção social, é possível, sim, desconstruir conceitos e construir novas crenças e valores....mas isso leva muito tempo...é um processo longo e , certamente, bastante complexo, remetendo-nos a internos conflitos internos e externos. Saber quando estaremos preparados para atravessar esse turbulento mar, que é a transição de um modo de viver para outro, só se sabe vivendo mesmo... Eu acredito que estamos vivendo um período bem marcante de transição de valores e crenças. Há de se ter cautela nessa reconstrução, individual e coletivamente.
ResponderExcluirGostei da possibilidade de reflexão!! Vamos continuar buscando o alimento, conforme a nossa fome.
Beijos, Marcinha ;)
Amei sua contribuição Nane! na verdade,tudo q você falou já foi discutido por mim e por meu amigo, tb acho que inferências positiivas são necessárias para que aja o crescimento, sou vigotskiana então acredito que a interação leva à aprendizagem. -orém só estava falando sobre o julgamento e sentença sem a intervenção, compreende? E a paciência com o tempo de aprendizagem do outro também...
ExcluirAltas reflexões mesmo, rsrs
bjsssss
Parabéns pelas ótimas elocubrações. De fato, ainda falando de uma perspectiva vigostikiana, nunca há correspondência total entre a idéia e a experiência, uma desafia a outra o tempo todo, numa relação dialética. Quando se acredita que existe total harmonia entre as duas coisas, então esta pessoa está fechando os olhos para muitas coisas. É fácil amar o "igual" (fazendo de conta que existe isso), difícil mesmo é amar nas diferenças. Bjs :-)
ResponderExcluirSim Fred, também penso que o desafio nos leva ao crescimento, sempre, mesmo quando não conseguimos superá-lo, pois, no caso dos relacionamentos, exige um esforço de ambas as partes. Mesmo assim, toda experiência é válida pela aprendizagem advinda da mesma.
ResponderExcluirObrigada por sua contribuição, sempre muito bem vinda, ao nosso debate.
Bjs